Biografia
Carlos Malta
Nascido no Rio de Janeiro em 1960, Carlos Malta é multi-instrumentista, arranjador, compositor e educador. Conhecido como “Escultor do Vento”, possui um estilo totalmente original, sendo uma referência no universo dos sopros no Brasil e mundo afora, um mestre que domina toda a família de saxofones e flautas, o clarinete baixo e também instrumentos étnicos como o pife brasileiro (pífano), o shakuhachi japonês e a di-zi de origem chinesa.
Em plena atividade desde 1977, em distintos projetos e formações, do solo ao som orquestral, há cinquenta anos Carlos Malta vem esculpindo seus múltiplos timbres, traduzindo através de seu sopro a alma da música do Brasil.
O sopro que há meio século molda a sonoridade da música instrumental brasileira ganha fôlego renovado. Dando início às comemorações de 50 de carreira Carlos Malta relança o seu primeiro álbum solo, O Escultor do Vento — agora disponível em todas as plataformas digitais pela Mills Records (*em breve página especial deste projeto).
Gravado entre 1996 e 1997 e lançado originalmente em tiragem limitada de mil cópias, o disco chega ao streaming pela primeira vez – e remasterizado especialmente para este lançamento – , tornando-se acessível a novas gerações de ouvintes e reafirmando o lugar de Malta como um dos mestres do sopro brasileiro.
Aos 15 anos ganhou sua primeira flauta transversa (presente em seus shows até hoje) e em seguida já iniciou sua trajetória profissional entre 1976 e 1977 quando começou a acompanhar Johnny Alf, Antônio Carlos & Jocafi e Maria Creuza. Em 1981, pouco antes de completar 21 anos, entrou para o grupo de Hermeto Pascoal onde permaneceu por mais de uma década, participando da gravação de cinco álbuns antológicos e de inúmeros festivais e concertos realizados pelo Brasil e nos quatro cantos do mundo.
Sua carreira solo, como band líder, começou a partir de 1993 quando formou um duo com o violoncelista suíço Daniel Pezzotti, com quem se apresentou no Brasil e no exterior e lançou o seu primeiro disco de músicas autorais Rainbow, indicado ao Prêmio Sharp de 1995.
Como instrumentista convidado fez memoráveis participações em shows e gravações em discos de artistas como Edu Lobo, Aldir Blanc, Ivan Lins, Lenine, Paralamas do Sucesso, Wagner Tiso, Paulinho Moska, Guinga, Rosa Passos, Gal Costa, Dave Matthews Band, Snarky Puppy, Michel Legrand, Bob Mc Ferryn, Chucho Valdéz, Roberto Carlos & Caetano Veloso no tributo a Tom Jobim e muitos outros. Com Gilberto Gil tocou de 2000 a 2005, fez várias turnês europeias, gravou álbuns e DVD.
Um inventor musical constante, lançou como artista principal 25 álbuns, dentre eles O Escultor do vento (2025 – originalmente lançado em 1997); EDU PIFE Carlos Malta & Pife Muderno – tributo a Edu Lobo (2025); Pimenta (2024 originalmente lançado em 2000) e Pimentinha Sessions (2024), ambos em homenagem a Elis Regina; Carlos Malta e Pife Muderno em GIL, 4 álbuns lançados sobre a obra de Gilberto Gil (2022); O Mar Amor – canções de Caymmi (2018); Carlos Malta e Pife Muderno (indicado ao Grammy Latino (2000); Pixinguinha Alma e Corpo (2000) arranjos e solos de Malta; Tudo Coreto (2004) com o Coreto Urbano, sua banda de metais e percussões, entre muitos outros.
Em 1994 criou os inovadores grupos de música instrumental brasileira, Coreto Urbano (de metais e percussão) e o Pife Muderno (de flautas e percussão) que segue em plena atividade há três décadas. Formado por um sexteto de músicos geniais, o grupo é aclamado na cena da música instrumental.
Inspirado nas tradicionais bandas de pífano do Nordeste, que hoje se multiplicam pelo Brasil também devido à influência de seu trabalho com o Pife Muderno, Malta desenvolveu uma nova leitura para a performance destas bandas e criou um som único, unindo elementos da tradição a linguagens contemporâneas, do tribal ao urbano, num diálogo sem fronteiras, amalgamando essa raiz indígena/nordestina à voz original de um conjunto camerístico moderno e muito popular brasileiro.
Ao longo de sua trajetória vem desenvolvendo um trabalho constante junto a grupos sinfônicos. Com a Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES/RJ), Carlos Malta orquestrou e solou a peça de sua autoria, Rapsódia das Rochas Cariocas, em homenagem aos 450 anos do Rio de Janeiro, sob a regência do maestro Roberto Tibiriçá.
A obra sinfônica de Malta transborda a essência da natureza musical do Brasil. Os ritmos, as melodias e harmonias que inspiram esta rica paleta sonora carregam frescor e tradição. O músico considera o som orquestral a tradução do universo que soma potencialidades de diversas naturezas produzindo infinitas combinações de timbres e coloridos sonoros.
Atua como solista, compositor e orquestrador junto a importantes grupos como: Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB/RJ), Banda Sinfônica do Estado de São Paulo (SP), Amazonia Jazz Band (PA), Royal Conservatory of Music Big Band (Dinamarca), Orquestra Jazz Sinfônica (SP), Orquestra a Base de Cordas (PR), Banda Euterpe Friburguense, Orquestra Sinfônica da Paraiba (PB), Orquestra Sinfônica de Brasília (DF), Também já esteve sob a regência de nomes como Isaac Karabitchevsky, Roberto Minczuk, Helena Herrera, Abel Rocha, Jens Chappe Christensen, entre outros.
Desde a década de 1990 até os dias atuais participa como professor convidado de diversos festivais nacionais e internacionais, realizando oficinas de instrumentos de sopro, composição, arranjos e improvisação. Dentre eles, o Festival Internacional de Inverno de Ouro Preto; Festival Internacional de Inverno de Domingos Martins; Curso Internacional de Verão de Brasília; Oficina de Música de Curitiba. No exterior, como artista residente, ministrou cursos na Dinamarca no Royal Conservatory of Music-Aarhus; na França no Conservatório de Paris, e nos Estados Unidos na Berklee College of Music e Universidade de New Orleans.
Ao lado da premiada cineasta Beth Formaggini, Malta fez sua primeira incursão pelo Cinema em várias áreas com o filme XINGU CARIRI CARUARU CARIOCA, lançado em 2017, um documentário musical poético e com uma pegada antropológica. A narrativa, que vai em busca da história da flauta e do pife pelo país, tem por guia o multi-instrumentista Carlos Malta, autor da ideia original e da direção musical do filme.
Foi eleito o melhor filme no Festival INEDIT SP/Barcelona (2016), no 8º Festival In – Edit Brasil, no 10º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões e eleito melhor filme pelo júri popular na competitiva de longas do CURTA-SE.
Em 2022 o longa ganhou uma nova montagem e formato, dando origem à série Sopro em 5 Episódios, dirigida também por Beth Formaggini e produzida pela 4Ventos, com exclusividade para o canal Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).